Há dias em que tudo parece estar de cabeça pra baixo. Você já acorda com aquela vontade incontrolável de cobrir a cabeça com o edredom e ficar ali até que tudo passe, mas acaba saindo da cama motivado pelos gritos de alguém dizendo que irá perder o horário da aula. E caminha até o banheiro numa moleza de dar dó. Se irrita até com o fato de ter que abrir a torneira e ter de sentir a aguá gelada na sua mão, mas coloca na cabeça que é forte o bastante para não se deixar abalar com isso. O sabonete parece escapar das mãos com mais facilidade que de costume, e colocar as roupas parece ser bem mais difícil. Ao sair de casa, percebe que o céu está mais cinza que o costume, e que as pessoas estão, aparentemente, mais fúteis do que o normal. Ao olhar para o portão da escola você sente náuseas, misturadas com um desejo profundo de virar as costas e desaparecer dali. Gente irritante, num lugar irritante, sendo comandadas por professores irritantes. Aquelas pessoas idiotas, que adoram brigar por idiotices, mais você sabe que é forte o bastante pra não chegar ao nível delas, e vê aquela pessoa que a verdade é o motivo de você acordar todo dia, mais ela não esta sozinha, ai você fica com um desejo profundo de ir embora o mais rápido possível. O sinal indicando o fim do período é tão alto que irrita seus ouvidos, mas você fica feliz por poder ir embora. Se despede dos seus amigos mais íntimos e corre pra casa. Joga a mochila no tapete, se esparrama no sofá e pede, quase implora na verdade para que as coisas voltem ao normal. Mas felizmente, você sabe que na vida só há duas certezas: a de que um dia você irá morrer, e a de que após toda tempestade, um lindo Sol surge por entre as nuvens. E é isso o que lhe dá forças para seguir adiante, mesmo que não perceba. Mais também tem ele, aquele que te da forcas, mais também te tira todas as elas, que acaba com você, só pelo fato de ele não te olhar em um intervalo, e se ele não olhar, saiba que as coisas estão ficando ruim mesmo!
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