@eaethai

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Outubro praticamente já se finalizou, dezembro bateu na nossa porta. Minha porta, melhor dizendo. O tempo passou e eu ainda não me acostumei a usar o possessivo no singular, ou o “eu” em vez de você. E ainda não aprendi a não conviver com você. Talvez nessa sua cabeça pequena, nem note ou tenha noção de como eu me sinto sozinha, agora que você partiu. Tudo na minha volta é colorido, todos estão vestindo as cores do amor, e eu me sinto em preto e branco. Ou até invisível, algumas vezes. Sinto, mais do que vejo, pessoas passarem por mim e sussurrarem “acabada”. Talvez seja apenas aquela mania de perseguição sobre a qual você sempre ria nos domingos à tarde, ou aquele medo incondicional de deixar de existir. O meu pavor se tornou real, você sabe. Eu deixei-me cair no esquecimento, tropeçar para dentro de um poço de lágrimas da madrugada. E então eu me tornei esse poço interior, cheia de angústias e temores. Não é uma mirada rápida que vai te revelar isso, mas a opacidade do meu olhar. Eu sinto que me perdi em meio a um labirinto que sempre vai para o mesmo caminho. Dez passos para frente e vinte para trás me levam ao mesmo buraco negro sem fim, onde a única solução encontrada seria me esquecer. E te esquecer, também. Em minha frente eu sinto um abismo, daqueles sem fim, que me levaria ao fim de tudo. Você não está entendendo mal. O fundo disso seria apenas a escuridão, a falta de energia. A surdez e o tremor de mãos.
Nunca havia pensado que chegaria a esse ponto, a esse beco sem saída pintado de vermelho. Porque, não importa onde eu tocasse ou o ar que aspirasse, tudo o que eu sentia era você.  Fazendo com que eu me perdesse e me encontrasse dentro de ti. E, olhe para mim, já comecei a falar de nós de novo… Começo falando sobre mim, termino com o você. Ou, quem sabe, eu estivesse falando sobre ti a todo momento, quem sabe você já não se tornou parte do meu ser. Talvez estejas tão dentro de mim quanto eu mesma.
Por isso, talvez, seja tão impossível de te tirar daqui também. Foi fugaz a forma como você me atingiu, me tirou de mim e me fez diminuir, apenas para que coubesse mais de você aqui dentro. E agora que essa minha parte - ou tua parte? - me deixou, eu não aprendi a me aumentar. Então, sobrou aquele vazio. Aquela parte que parece se guardar para que se algum dia tu pensares em regressar, haja vaga. Não precisa fazer reserva, você sabe. Não precisa ligar ou mandar carta avisando que vem, se apareceres de surpresa vai ser o suficiente. Meu interior é feito de destroços de guerra, minha alma é perfurada pelos disparos da solidão e meu coração… Esse eu não sei nem por onde anda. Mas, mesmo sendo uma cidade destruída, ainda há um espaço lindo que guardo para voce, se voltares. Desisti de me livrar dele, e aprendi a conservá-lo, deixando lá, um espaço em branco, caso algum dia você queira pegar uma caneta e voltar a escrever,Hoje estava tirando fotos com as minha amiga pra minha retrospectiva,  e vendo qual escola vou estudar,e nos meus planos tinha você..mais hoje,sei que isso é passado,esta me doendo muito porém vou continuar ! 



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